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Com pandemia, número de nascimentos no país em 2020 é o menor em 26 anos

Com pandemia, número de nascimentos no país em 2020 é o menor em 26 anos

Com a pandemia de Covid-19, o número de nascimentos no país em 2020 foi o menor desde 1994, segundo dados do Sistema de Informações de Nascidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde, tabulados pelo Estadão. Foram 2.687.651 recém-nascidos no ano passado, ante 2.849.146 em 2019, queda de 5,66%.

Os nascimentos já estavam em queda ou estabilidade nos últimos anos, mas em ritmo menos acelerado. Entre 2018 e 2019, por exemplo, a diminuição no número de novos recém-nascidos havia sido de 3,2%. Já entre 2017 e 2018, o país tinha registrado leve alta de 0,7% nos nascimentos.

O impacto da pandemia no número de recém-nascidos foi maior até mesmo que o do surto de zika e microcefalia que afetou o país entre 2015 e 2016. Naquele período, em que muitos casais adiaram a gravidez por medo das sequelas deixadas pelo zika em algumas crianças, a queda de nascimentos foi de 5,3%. A última vez que o Brasil registrou um número menor de nascimentos do que em 2020 foi há 26 anos, quando, em 1994, 2.571.571 bebês nasceram.

Os dados de 2020 analisados mês a mês demonstram que as maiores quedas porcentuais ocorreram em novembro e dezembro, justamente nove e dez meses depois de o coronavírus ser confirmado no Brasil. Nesses meses, a queda foi de 9%, quase o dobro da média do ano.

A queda de nascimentos é algo que costuma ocorrer em períodos críticos, mas não significa que ela se manterá constante com o passar dos anos, explica Joice Melo Vieira, professora do Departamento de Demografia (DD/IFCH) e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População Elza Berquó (NEPO) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

"Se nos voltarmos para casos semelhantes ao longo da história humana, é esperado que o número de nascimentos decline durante pandemias, mas há certa recuperação depois que esse período crítico terminar", observa. "É claro que sempre existem os casos de mulheres que atravessam períodos de crise já nos anos finais de seu período reprodutivo e podem ter vivenciado dois abalos grandes - o zika e agora a Covid-19 - e que terão menores chances de recuperação da fecundidade desejada."

Segundo Joice, a retomada dos planos para ter filhos, quando a pandemia passar, vai depender de políticas que vão além do controle da circulação do vírus. "As pessoas, especialmente as mulheres, vão querer ter filhos se e quando se sentirem confortáveis para tê-los, se encontrarem condições propícias para isso. Políticas de redução de desigualdades e que proporcionem maior estabilidade financeira às famílias, políticas que promovam equidade de gênero no âmbito público e privado, políticas que favoreçam melhor gestão do tempo dedicado à vida laboral e pessoal, tudo isso favorece a recuperação da fecundidade", destaca.

Para Raquel Zanatta Coutinho, professora adjunta no Departamento de Demografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ainda não é possível saber se as pessoas vão desistir do plano de ter filhos ou se isso terá um efeito inverso. "Pode ser que uma pandemia desse porte mude para sempre o desejo por crianças. Diante das inseguranças do mundo, pode ser que quem já estivesse tentado a não ter filhos decida de uma vez que a maternidade não é um bom caminho", diz Raquel. "Por outro lado, a pandemia pode aumentar a fecundidade na medida em que as mulheres perdem o pouco acesso que tem aos métodos de controle. Talvez tenha um ‘baby boom’ para alguns grupos."

A emergência do zika vírus, de acordo com a professora da UFMG, teve seu impacto e afetou principalmente as mulheres em situação de vulnerabilidade. "Em nível nacional, o efeito foi pequeno, mas importante, cerca de 5% menor do que no ano anterior. Para alguns Estados, como Pernambuco, onde os casos de microcefalia se concentraram, a redução foi de 23% em 2016. Isso mostra que o medo da microcefalia e sua proximidade geográfica foram cruciais para despertar respostas reprodutivas. Mas o que mais chama atenção na zika é o fato de que mulheres mais jovens, com menos de 25 anos, apresentaram maior probabilidade de postergar, enquanto as mais velhas mantiveram os planos, muito por medo de não terem tempo biológico para engravidar", explica Raquel.

"Além disso, as mais escolarizadas e as mais estáveis financeiramente conseguiam manter seus planos. Não tenho a menor dúvida de que as piores consequências da Covid-19 serão sentidas pelas mulheres, especialmente as de baixa escolaridade e menor renda."

A pandemia teve diferentes efeitos sobre o número de nascimentos ao redor do mundo. Uma análise feita pela The Economist em outubro observou uma tendência de queda nos nascimentos nos países de renda mais elevada, como Cingapura, enquanto o número estava em alta em regiões de renda mais reduzida, como Uganda.

Congelamento de óvulos. No ano passado, em relação a 2019, chegou a ocorrer um movimento de queda de congelamento de óvulos porque muitas clínicas interromperam atendimentos ou focaram em pacientes que tinham mais urgência em preservar a fertilidade, caso das mulheres com câncer.

Depois, ocorreu a retomada. "Toda vez que restringe, cria-se uma demanda reprimida, a procura para as clínicas aumentou bastante" diz Emerson Cordts, médico ginecologista e membro da Sociedade Brasileira de Rerodução Assistida (SBRA).

Em clínicas de fertilização, o movimento de mulheres buscando o congelamento de óvulos cresceu até 25%, segundo especialistas. O principal perfil é o de mulheres que não estão em um relacionamento estável. "A pandemia intensificou esse processo por causa da insegurança quanto ao futuro reprodutivo", diz Daniel Suslik Zylbersztejn, urologista e coordenador médico do Fleury Fertilidade. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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  • Fies: convocação da lista de espera termina hoje (17)

    Encerra nessa sexta-feira (17) o prazo para convocação de estudantes da lista de espera do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do segundo semestre de 2021. O candidato pré-selecionado com nome na lista deve acessar o site do Fies ou da instituição de ensino para qual se candidatou, para conferir se foi contemplado com o benefício estudantil.

    A classificação do Fies ocorre com base nas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de qualquer edição a partir de 2010. Contudo, quem não for selecionado pode ingressar no ensino superior privado com bolsa de estudo por meio de programas de iniciativa privada, como o Educa Mais Brasil, que concede até 70% de desconto em instituições de todo o país.

    Quem conseguir ser aprovado para utilizar o financiamento terá que complementar a inscrição no site do Fies, comparecer na Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA) da instituição que foi aprovado para emissão do Documento de Regularidade de Inscrição (DRI) e finalizar o processo de contratação com o banco.

    O estudante convocado tem até três dias úteis, a contar a partir da data de divulgação de sua pré-seleção, para complementar sua inscrição para contratação do financiamento. Esse procedimento é feito, exclusivamente, na página do Fies, na aba “Complementar minha inscrição”.

    Após complementar a inscrição na página do Fies, o pré-selecionado terá até cinco dias, a contar do dia seguinte à data da complementação da inscrição, para apresentar na instituição para a qual foi pré-selecionado a documentação para validação.

    Feito isso, o estudante terá 10 dias, contados a partir do terceiro dia útil imediatamente subsequente ao da emissão do DRI, para entregar a documentação exigida para fins de contratação. A validação dessas informações é feita no âmbito da agência da Caixa Econômica, indicada pelo estudante no ato da complementação da inscrição do Fies.

    O prazo para a convocação terminaria em 31 de agosto, mas um dia antes do fim foi prorrogado pelo Ministério da Educação (MEC). “Com isso os candidatos ganham mais chances para financiar os estudos e as instituições de ensino de aumentar a possibilidade de ocupar as vagas ofertadas”, disse o MEC em nota.

    Fies

    O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) é um programa do Ministério da Educação (MEC), que concede financiamento a estudantes em cursos superiores de instituições privadas. Esse modelo de financiamento estudantil é dividido em diferentes modalidades, possibilitando juros zero a quem mais precisa e uma escala de financiamentos que varia conforme a renda familiar do candidato.

    Para participar do processo seletivo é preciso ter a nota do Enem a partir da edição de 2010 e obtido média nas provas igual ou superior a 450 pontos, sem ter zerado a redação.

    O programa leva em consideração a renda familiar. Para participar desse processo o candidato precisa possuir renda familiar mensal bruta, por pessoa, igual a superior a um salário-mínimo ou até 3 salários-mínimos.

    O bolsista parcial do Prouni poderá participar do processo seletivo do Fies e financiar a parte da mensalidade não coberta pela bolsa, desde que se enquadre nas condições previstas no edital. Assim como o Prouni, o Fies é realizado em chamadas no primeiro e segundo semestre e também possui lista de espera.

    Fonte: Agência Educa Mais Brasil

  • Venda de motos dispara na Bahia com crescimento de até 40% em seminovas

    Boom do serviço de delivery, fuga do transporte público lotado na pandemia e salto do preço da gasolina. Esse cenário é a explicação perfeita para uma estatística que já é visível nas ruas: a venda de motos disparou na Bahia. Na comparação entre o acumulado até julho de 2020 com o acumulado até julho de 2021, as vendas no estado atingiram um crescimento de 40% nas motos usadas, segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto).

    Os números da Federação apontam que, no ano passado, foram vendidas 51.175 motos seminovas entre janeiro e julho. Agora, em 2021, no mesmo período, foram registradas 71.425 vendas, um crescimento de 40%.

    Já a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) registrou vendas de 37.567 novas motos no acumulado até julho de 2021. Isso representa um aumento de 20% em comparação com as 31.211 vendas no mesmo período de 2020. Segundo a Fenabrave, o comércio de motos representa 42% de todos os veículos negociados na Bahia. Segundo o Detran, a frota baiana é de 1,4 milhão de motos.

    Em Salvador, a situação não é diferente. Levantamento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), aponta que, no ano passado, foram 4.562 emplacamentos de motos novas de janeiro a julho. Neste ano, no mesmo período, foram 5.182 novos emplacamentos, 14% a mais.

    Desemprego e delivery
    O entregador Lucas de Sousa Soares, 21 anos, ajudou a contribuir com essa estatística. Após sair de um emprego de repositor com carteira assinada num supermercado, ele uniu o sonho de comprar uma moto com a necessidade de trabalhar. “Fui desligado em julho, mês que comprei uma CG 160 Titan nova e em agosto comecei a entregar pelas plataformas”, diz.

    Francisco Martinelli, presidente do NOA Base, núcleo filiado à Associação Brasileira de Distribuidores Honda (AssoHonda) que representa concessionárias da Bahia e Sergipe, aponta que a moto virou um ‘seguro-desemprego’.

    “A pessoa perde o emprego e vê na moto a possibilidade de fazer sua renda ou até uma jornada extra. Isso é possível, pois, com a população em casa, alguém tinha que fazer a ponte entre consumidor e empreendedor. O delivery explodiu”, afirma.

    O porteiro Ademilson Cerqueira, 30, virou entregador para ter um segundo trabalho. “Trabalho como porteiro dia sim, dia não. Depois do expediente, na folga e, geralmente, nos horários de almoço, viro motoboy. Deu para completar a renda, ter um desafogo para pagar as contas, mas a hora do descanso é bem menor”, lamenta o rapaz, que comprou uma Honda NXR 160 Bros, em outubro de 2020.

    Mônica Chagas, gerente da concessionária Líder Motos Suzuki, que também vende motos Kymco e Haojue, também viu as vendas explodirem por causa do delivery. “As motos mais baratas geralmente custam R$ 11 mil e são usadas por um público que trabalha com entrega e mototáxi. Elas são as que mais saem. Pelo movimento, estimo aumento de 20%”, afirma.

    Em todo o Brasil, somente o iFood, empresa que atua no ramo de entrega de comida pela internet, tem 200 mil entregadores ativos na plataforma. No início de 2020, eram 150 mil. A empresa não divulga dados regionais.

    Combustíveis
    Embora o delivery seja bastante citado entre concessionárias e compradores, ele não é o único motor de aquecimento do setor. O aumento do combustível - o litro da gasolina está próximo de R$ 7 - fez muita gente trocar o carro pela moto.

    “Tem o aumento dos combustíveis, que força as pessoas a buscarem alternativas. Moto é clássico para economizar, pois consome menos combustível”, aponta Martinelli. Ele também cita as pessoas que querem fugir das aglomerações do transporte, os atraídos pelas condições de financiamento de bancos e os que sonhavam em ter uma moto.

    O empresário Wiliam Figueiredo teve a moto roubada em março de 2020. Ele passou a fazer as entregas do seu trabalho com carro, mas o preço alto da gasolina o fez comprar em junho uma POP 100. “Com o carro, chegava a gastar R$ 130 por mês de gasolina. Agora eu gasto R$ 25, apenas”, diz o rapaz, que passou a usar a moto também no seu dia a dia.

    “Hoje, eu só uso o carro para sair de noite, quando o dia está muito chuvoso ou preciso levar mais de uma pessoa comigo. Fora isso, uso a moto para tudo, pois essa gasolina está muito cara”, lamenta.

    Segundo Wiliam, sua moto roda até 35 quilômetros com um litro de gasolina. Já o carro faz apenas 10. A moto leva vantagem por ser mais leve.

    O guarda civil Eberte Santana, 37, também comprou uma moto, uma NMax 160, para o irmão deixar o carro na garagem. “Ele costuma fazer sempre o deslocamento de Camaçari para Salvador e, de carro, estava gastando R$ 800 de gasolina, no mês. Agora, não chega a R$ 200. É uma viagem longa e tem esse estereótipo de que moto é mais perigosa, mas acredito que, se ele andar de forma consciente, não vai ter problema”, relata.

    Expectativa x produção
    Para os revendedores, a situação podia ser ainda melhor, se a produção não estivesse limitada. “As fábricas localizadas em Manaus ficaram meses paralisadas por causa da covid-19. Hoje que estamos retomando ao que era produzido antes da pandemia, mas com o estoque todo vendido e fila de espera de novos compradores”, afirma Martinelli.

    Miro Oliveira, diretor da concessionária Novo Tempo, conta que uma empresa fez uma encomenda de 300 motos que serão alugadas para entregadores: “Eu ainda não consegui entregar 100, por causa dessa limitação na produção”.

    Lá, a fila para adquirir o veículo novo leva até 90 dias:

    “E é algo que nos surpreende, pois a gente tinha medo dessa pandemia. Logo no início, tivemos queda de 30% no faturamento. Mas, num segundo momento, a demanda cresceu e vendemos tudo que tinha”, completa Miro.

    Nem todo mundo está tão otimista. O dono de uma concessionária que vende motos da Yamaha e que não quis ser identificado não concorda que esteja havendo aumento nas vendas. “Se as fábricas estivessem produzindo como era antes da pandemia, as vendas estariam bem aquecidas. Eu aponto que o delivery foi o setor que segurou a crise. A gente não está vendendo mais por causa do delivery e sim deixando de vender menos por causa dele”, argumenta.

    A Abraciclo revisou as projeções de produção de motocicletas para 2021. A nova estimativa é que as fábricas instaladas em Manaus produzam 1.220.000 motos, 26,8% a mais que em 2020. A perspectiva inicial, apresentada no início do ano, era de 1.060.000 motocicletas. O presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, afirma que uma série de fatores levaram à revisão dos números.

    “Depois de enfrentar um primeiro bimestre complicado devido à segunda onda do coronavírus que atingiu a cidade de Manaus, as unidades fabris registram uma curva de aceleração das produções e cumprem o seu planejamento. Aliado a isso, temos um mercado bastante aquecido, pois a motocicleta hoje é instrumento de trabalho e opção de deslocamento seguro para evitar a aglomeração do transporte público”, diz.

    Fermanian destaca que com a nova previsão, o setor deve ficar próximo ao patamar de 2015, quando foram fabricadas 1.262.708 motocicletas. “Ainda estamos bem distantes do recorde de 2011, que teve mais de dois milhões de unidades produzidas, mas o importante é que a indústria está consolidando sua recuperação e os sinais indicam o início de um novo ciclo de expansão”, diz Fermanian.

    A Abraciclo também revisou as projeções para os volumes de vendas e exportação. A nova estimativa é de que sejam comercializadas 1.140.000 motocicletas, alta de 24,6% em relação às 915.157 unidades emplacadas em 2020. Já para as exportações, a perspectiva é de que sejam embarcadas 51 mil motocicletas, volume 51,1% superior ao registrado no ano passado (33.750).

    A perspectiva anterior, também apresentada no início do ano, era de que os licenciamentos somariam 980 mil unidades e as exportações totalizariam 40 mil motocicletas.

    Sindicato alerta que aumento dos combustíveis impacta entregadores
    Enquanto as pessoas deixam o carro de lado para usar a moto - que é mais econômica -, o Sindicato dos Motociclistas, Motoboys e Mototaxistas do Estado da Bahia alerta que o aumento no preço da gasolina só retira o lucro dos entregadores.

    “O desemprego tem gerado aumento no número de entregadores, que sofrem com os preços dos combustíveis, pois não tem reajuste na taxa de entrega. Está ficando inviável e não sei se vai continuar esse crescimento no número de entregadores. Se não fosse o desemprego, talvez não crescesse tanto”, diz Henrique Balthazar da Silveira Filho, representante da categoria e membro da Federação Norte e Nordeste dos Motociclistas.

    Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, no primeiro trimestre de 2021, havia 1,4 milhão de desocupados na Bahia, o maior número em nove anos. Nesse período, a taxa de desemprego no estado atingiu 21,3%, a maior do país.

    Adailson Couto, o Dragão, presidente da Associação dos Motociclistas Profissionais da Bahia (Asmop), afirma que, dos 968 mototaxistas da associação, cerca de 450 passaram a atuar no delivery durante a pandemia devido a queda no número de passageiros. “Está sendo o ano mais difícil da nossa categoria por causa também do alto valor dos combustíveis. Pela primeira vez temos que escolher entre comer e abastecer”, afirma. Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), Salvador tem 1.290 mototaxistas.

    Já Felipe Oliveira, 27, foi demitido no início da pandemia e comprou uma Fan 160 usada para trabalhar com delivery em um restaurante (veja ao lado dicas de como usar sua moto para trabalhar). Lá ele ficou até janeiro de 2021, quando conseguiu um emprego no aeroporto de Salvador.

    “Hoje, uso a moto somente para ir ao trabalho. Com o aumento do preço da gasolina, não sei com a galera está conseguindo ganhar dinheiro como entregador. Eu mesmo só conseguia fazer R$ 1 mil, no máximo, em uma semana, mas gastando bastante com combustível e manutenção do veículo”, lembra.

    O Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA) foi procurado, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

    OLX registra aumento de até 17,7% na venda de motos pela plataforma
    No mercado de motos usadas, as plataformas digitais são uma alternativa na escolha do veículo. A OLX, empresa de comércio eletrônico, registrou aumento de 17,7% na venda de motos entre o primeiro trimestre de 2021 e o mesmo período de 2020. Se levados em conta os primeiros semestres desses dois anos, o aumento é de 6,8%. A plataforma não divulga números absolutos de vendas.

    “Com o aumento das compras por delivery, a demanda por profissionais de entregas aumentou. Há também aqueles que desejam dispor de um meio de locomoção mais rápido e seguro para evitar as aglomerações no transporte público. E há, ainda, os que migraram para veículos mais econômicos”, diz Flávio Passos, vice-presidente de Autos e Comercial da OLX.

    Ele explica que a plataforma pode ser usada tanto para usuários anunciarem e comprarem, como por revendedores e concessionárias. No entanto, ao fazer alguma compra, é preciso prezar pela segurança.

    “Além de alguns recursos, como o Perfil Verificado, contamos com o histórico veicular, que traz todo o histórico de documentação e condições do veículo”, aponta.

    Consumidores devem se atentar ao seguro da moto
    Um ponto que deve ser levado em conta pelos motociclistas ao comprar uma moto é o seguro do veículo. De acordo com Francisco Martinelli, apenas 30% das motos novas entregues pelas concessionárias da NOA Base são com seguro total. “Como é um gasto adicional e os clientes de motos são muito sensíveis, que não têm grandes recursos, uma boa parte não faz”, lamenta.

    O valor médio do seguro para uma CG 160 Fan, que é a mais vendida, sai por R$ 1,2 mil à vista ou em 12 vezes de R$ 113,10, considerando um condutor de 30 anos de idade.

    “É um mercado que está em evolução. Os preços dos seguros estão caindo devido justamente o aumento da venda de veículos. E é do interesse da fábrica que a moto seja segurada para que o cliente não perca o poder de compra”, explica.

    Mesmo assim, Martinelli reconhece que o seguro da moto costuma ser ainda mais caro do que o do carro. Ele explica o motivo: “Proporcionalmente ao valor do bem, é mais caro, pois o risco da motocicleta é maior. Dá para colocar ela na carroceria de um carro e levar. Mas o preço barateou muito ao longo do tempo”, afirma.

    Especialista também alertam sobre a importância da segurança no trânsito para motociclistas
    O aumento do da circulação de motos na cidade também pode provocar um crescimento no número de acidentes. É o que explica Ilce Marilia Dantas, professora do Departamento de Engenharia de Transportes e Geodésia da Universidade Federal da Bahia (Ufba): “Crescem os riscos, pois os motociclistas são mais vulneráveis do que os carros. Eles estão mais expostos, correm para fazer as entregas e isso pode até gerar acidentes com alta gravidade”.

    No entanto, os dados do primeiro semestre de 2021 e 2020 mostram que os números de acidentes com motos permaneceram praticamente não mudaram, em Salvador. No ano passado, 791 acidentes com feridos foram registrados e outros 31 acidentes fatais. Neste ano, foram 800 acidentes com feridos e 27 fatais, de acordo com a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador).

    “Observamos que grande parte dos acidentes fatais foi referente a não utilização ou má utilização de capacete, avanço de semáforo vermelho, troca repentina de faixa e excesso de velocidade”, diz o superintendente Marcos Passos.

    Ele atribuiu o não aumento de acidentes às ações de educação para o trânsito que são promovidas na cidade, como o Vivo na Moto, cuja atuação se dá na conscientização e previsão de acidentes. “Dentre as ações, estão palestras, cursos gratuitos de pilotagem segura, ações de comunicação de massa, distribuição de materiais e jornais educativos e rodas de bate papo em bairros e autoescolas com grupos de motociclistas”, disse.

    Em nota, a Transalvador afirmou também que "realiza constantes ações de fiscalização para coibir infrações de trânsito, que são as principais geradoras de acidentes, muitos deles fatais, envolvendo motociclistas. Ainda com o objetivo de evitar infrações, a superintendência promove blitze em conjunto com outros órgãos, como Polícia Militar e Guarda Civil Municipal, visando inibir condutas irresponsáveis no trânsito”.

    A professora Ilce Marilia Dantas vê com bons olhos essas ações, pois, para ela, o aumento na venda de motos não deve ser interrompido com o fim da pandeia. “É uma tendência que já vem antes mesmo da crise sanitária. Nós não temos um transporte com qualidade adequada, o delivery veio para ficar e a gasolina não para de ficar mais cara. Todo o cenário mostra que o setor de moto tem razões para ser otimista”, conclui.

    Veja dicas de Henrique Balthazar, do Sindmoto-BA, de como usar sua moto para fazer entregar:

    1 – Habilitação: O primeiro passo é ter a carteira de motorista na categoria "A", para motos. Se você não tem, não tente fazer entregas com moto;

    2 – Qual moto? É preciso pensar em qual moto você vai utilizar. Normalmente, os entregadores trabalham com um veículo de 150 cilindradas. Os veículos das marcas japonesas e chinesas são os mais comuns;

    3 – APP: Se inscreva no aplicativo da sua preferência;

    4 – Caixa: Providencie a caixa de entregador. As vezes algumas empresas dão, mas não são todas. Ela é facilmente encontrada em sites de compra e venda pela internet, o que é um problema, já que qualquer um pode comprar e pessoas se passam por motoboy para praticar assaltos;

    5 – Segurança: Não se esqueça do item básico de segurança, o capacete;

    6 – Acessórios: Como a profissão de motoboy não é regulamentada em Salvador, não é obrigatório comprar nenhum outro acessório. Mas a recomendação é de que o profissional tenha, pelo menos, capa de chuva, calça de chuva e sapato fechado para não molhar o pé;

    7 – Regras: Fique atento ao Código de Trânsito Brasileiro para não ser multado;

    8 – Currículo: Mande currículo para empresas, converse com donos de farmácias e restaurantes para que você possa ser contratado em algum local como motoboy via carteira assinada. Isso vai lhe dar mais segurança no emprego.

    Lista das 10 motos seminovas mais vendidas na Bahia, em julho de 2021, de acordo com a Fenauto:
    1 CG 150 - 2.935 vendas
    2 NXR 150 - 1.636 vendas
    3 CG 125 - 1.146 vendas
    4 POP 100 - 1.135 vendas
    5 BIZ - 1.100 vendas
    6 XRE 300 - 443 vendas
    7 YBR 125 - 281 vendas
    8 CB 300R - 211 vendas
    9 PCX 150 - 171 vendas
    10 FAZER 250 - 104 vendas

    Confira algumas dicas de segurança ao comprar uma moto na OLX:

    1 – Evite Intermediários: Ao entrar em contato com o vendedor, evite negociações com terceiros. Fique atento e desconfie se o vendedor estiver muito apressado, nervoso ou impaciente para fechar o negócio. Não tenha receio de tirar qualquer dúvida sobre a motocicleta e prefira sempre negociar por meio do chat da plataforma, concentrando a conversa em um único canal;

    2 – Levante Informações: Certifique-se de que o vendedor é o proprietário legítimo da moto. Você pode verificar as informações do veículo no Detran. Aproveite também para verificar, pelo Renavam, informações sobre multas e situação do IPVA. Seja cuidadoso com contratos de consórcios e prestações. Pesquise a documentação e o histórico da empresa envolvida;

    3 – Pagamento: Evite realizar qualquer tipo de depósito antecipado (pagamento de entrada) sem antes ver o veículo, conferir se está em bom estado e com todos os acessórios anunciados, certifique-se que a conta bancária fornecida é a mesma da pessoa com a qual está negociando;

    4 – Excessos de facilidades: Desconfie de valores abaixo do mercado. Esteja atento se o vendedor alegar que ganhou a motocicleta em uma promoção/sorteio, que é ex-funcionário de uma empresa, ou se diz trabalhar nas fabricantes e que, a partir disso, conseguiu o veículo mais barato;

    5 – Local de encontro: Ao ir ver o veículo, prefira locais com grande movimentação, como shoppings e supermercados, e vá sempre acompanhado;

    6 – Segunda opinião: Ao identificar uma moto de seu interesse, peça uma segunda opinião a pessoas de sua confiança e, se possível, alinhe com o proprietário uma revisão com um mecânico antes de concluir a negociação.

  • Governo anuncia bandeira tarifária 50% mais cara e conta de energia vai subir quase 7%

    O Ministério de Minas e Energia anunciou nesta terça-feira, 31, a criação da bandeira tarifária de “escassez hídrica”, 50% mais cara do que a bandeira vermelha patamar 2. Com isso, a taxa extra cobrada para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos aumentará de R$ 9,49 para R$ 14,20 a partir desta quarta, 1º, até 30 de abril do próximo ano. O reajuste será de 6,78% na tarifa média dos consumidores de energia.

    Além disso, o governo criou um programa para estimular a redução de consumo para os clientes residenciais e de pequenos comércios, atendidos por distribuidoras de energia.

    A iniciativa prevê desconto nas contas para quem diminuir o consumo em no mínimo 10%. O bônus será aplicado até uma redução de 20% no consumo — acima disso, não haverá benefícios.

    Haverá um bônus de R$ 0,50 a cada kilowatt-hora (kWh) economizado dentro da meta entre 10% e 20%. Por exemplo: se uma residência consome 200 kWh de energia mensais, haverá desconto para uma nova faixa de consumo entre 160 e 180 kWh.

    O financiamento do programa não será feito pelo governo. Os recursos serão provenientes do Encargo de Serviços do Sistema (ESS), taxa cobrada nas tarifas de energia de todos os consumidores. Ou seja, o bônus será custeado pelos próprios consumidores, tanto os atendidos pelas distribuidoras (mercado cativo) quanto pelos consumidores do mercado livre, como as indústrias, que compram a energia direto do fornecedor.

    Fonte: A Tarde

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